29 de maio de 2009

Volapük no Gouveia Art Rock 2009

Apresentação do Volapük, do Guigou Chenevier, de quem já falamos aqui e aqui também, no Gouveia Art Rock 2009.


28 de maio de 2009

NHX e o electrojazz com toque zeuhl

O NHX, banda composta por alguns colaboradores do Magma (Emmanuel Borghi, Philippe Bussonnet e James McGaw), mas cuja liderança cabe a Gaël Horellou, pratica uma espécie de jazz eletrônico, ou computerjazz, como exposto por seus próprios integrantes.

A forte presença do baixo e a manipulação rítmica para criação de crescendos ritualísticos, no entanto, parece vir direto da história zeuhl de seus membros.

Abaixo uma das músicas do segundo álbum, NHX II.


Total improvisation, including the loops. Or some “free”, like free jazz or... free parties, which we often attended in the name of freedom! So yes, our music IS a little angry, it simply reflects the vision we have of a highly controlled and monitored society. I agree that we may sound a little extreme if you expect lounge music from us… (Dominique Poutet, produção e mixagem)

22 de maio de 2009

John Zorn com sua Electric Masada

John Zorn e a sua versão elétrica da Masada. Como sabem, o percussionista Cyro Baptista é figurinha carimbada por aquelas paragens.





PS.: Outro dia descobri que John Zorn e Marc Ribot (por convite do Cyro, presumo), participaram do álbum da Marisa Monte Mais. Bizarro.

1 de abril de 2009

Ashley Kahn e a história de duas obras-primas

Já há algum tempo a Editora Barracuda trouxe, para o Brasil, dois livros de autoria do jornalista Ashley Kahn, que buscam destrinchar duas obras-primas do jazz: A Love Supreme, de John Coltrane; e Kind of Blue, de Miles Davis.


Já tive oportunidade de ler a obra sobre o grand opus de Coltrane (A Love Supreme - A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane, 2007), e se trata de um livro extremamente rico em detalhes e minúcias, seja acerca do processo criativo que culminou na gravação do disco, seja sobre a sua repercussão junto ao público.

Kahn ainda reserva boa parte do livro explorando o impacto do álbum sobre a cultura musical dos Estados Unidos, esmiuçando, especialmente, o contexto espiritual em que foi gestado, e que acabou por provocar reações equivalentes nos músicos e nos ouvintes. Há grande quantidade de testemunhos colhidos entre vozes da música - da época e dos tempos de hoje - que confirmam a popularidade e influência da obra-prima de Coltrane inclusive para fora dos círculos de jazz.

A conotação espiritual que Coltrane deu ao álbum casou tão bem com a proposta free-jazz e improvisacional que, até hoje, este gênero do jazz está entrelaçado com sentimentos de transcendência, êxtase espiritual e prece. Coltrane e seu A Love Supreme provavelmente não foi o primeiro a explorar o jazz a partir desta perspectiva, mas sem dúvida é o que representa, de forma mais imediata, a idéia.

A abordagem espiritual-emotiva do free-jazz, a partir daí, vai se repetir em grande obras do gênero (Pharaoh Sanders, Karma; Archie Shepp, The Magic of Ju-Ju; Keith Jarret, Spheres; praticamente toda a discografia de Sun Ra; para ficarmos em apenas alguns exemplos), confirmando a impressão de que, à medida que o jazz se livra dos limites formais, das amarras dos acordes e das estruturas harmônicas, mais ele se aproxima de uma experiência etérea e transcendental.

Por isso, a leitura do livro de Kahn é bastante recomendada, pois traz à tona os propósitos e objetivos de Coltrane com o álbum, trazendo luz para esta interessante questão acerca da relação entre a música improvisada e a religiosidade.


27 de março de 2009

Ornette Coleman em São Paulo

Os felizardos paulistanos receberão nada menos que Ornette Coleman, dia 12 de maio, no Via Funchal. Coleman vem acompanhado de seu quarteto, que inclui seu filho Denardo Coleman na bateria. É o mesmo quarteto que gravou Sound Grammar (2006), seu último álbum, que faturou o Prêmio Pulitzer para música em 2007.

Como aperitivo até a data do concerto, algumas apresentações recentes do quarteto, logo abaixo.




11 de março de 2009

Peter Brotzmann Chicago Tentet

Apresentação do famoso Tenteto no Mold Jazz Festival, em 2007.



Notem como todo o barulho vai se amontoando aos poucos e, logo, passa a prender a atenção. Em pouco tempo assimilamos o cataclisma, e percebemos como a massa sonora vai se movimentando conjuntamente, ora para uma direção ora para outra. A imagem que me vem é de uma paisagem em alto mar, quando as águas estão revoltas: à superfície, grandes ondulações e variações bruscas de corrente e altura; à distância, apenas a imensidão do mar, os detalhes se perdem e vemos apenas o conjunto.

26 de novembro de 2008

Sudio Zünd

Este ano, os fãs de Zeuhl já têm o que pedir ao bom velhinho: trata-se da luxuosa coletânea que o Magma acabou de lançar (Seventh Records), contendo 9 álbuns de estúdio (Kobaia até o recente Köhntarkösz Anteria), cada um acompanhando seu próprio livreto com cerca de 30 páginas. Como bônus, dois discos extras contendo material inédito, inclusive uma demo de Mekanïk Destruktïw Kommandöh só com vocais e bateria.



Para quem não conhece, vai aí um pedaço do Magma tocando K.A. ao vivo no Le Triton.


Bobby Previte

Bobby Previte, baterista sediado em Nova York, se tornou conhecido por ter se mostrado também um grande compositor. Sempre trilhando o caminho do experimentalismo e do free-jazz, aqui vemos o baterista com o grupo Coalition of the Willing (Charlie Hunter, Steven Bernstein, Jamie Saft, Skerik, Stanton Moore, Stew Cutler).

1 de agosto de 2008

The Creator has a Master Plan


Peace and happiness for every man


When you reach a spiritual level, you become the instrument yourself. (...) I just want them to feel me, I just show up and that's it. That's what the music sounds like. (...) I think people get the wrong idea about soloing, as if it means you have to play a lot of notes. It means you have more freedom to put more feelings through your music.

5 de fevereiro de 2008

Marco Benevento e convidados / Tonic, 9.2006



Marco Benevento (The Jazz Farmers) convida três bateristas (seu parceiro habitual Joe Russo, Bobby Previte e Mike Dillon) para tocar no Tonic. Sensacional. É uma das tantas experiências que vieram a aparecer depois no álbum triplo "Live at Tonic" (Rodeadope, 2007).

Parte 2.

Parte 3.

Parte 4.

For these shows, I decided I was going to invite some of my closest friends along to play and we'd just let the music go where it wanted. I've always thought that if you think too much about something, there winds up being this hesitation that throws the whole 'universal timing' balance off. With improvised music you want to let the music play you, so that's the approach we took. In this case, music is more like the wind that carries a little balloon through the sky, it's something to succumb to. When you think of an improvised performance as 'something you don't play' you may wind up with a better mind set. That concept paired with the fact that my friends are my biggest musical inspiration, completely allowed the music to come to life. The entire month of November is a brilliant memory.

Peter Kowald / Ken Vandermark Duo

Duo de Vandermark e Kowald, gravado em 2001. Curto, mas vale a espiada.

31 de janeiro de 2008

Rova

O quarteto de saxofone Rova, com dois percussionistas convidados (Vladimir Tarasov e Fritz Hauser), no Vilnius Jazz 2007.








9 de janeiro de 2008

3 de janeiro de 2008

Ruclub

Achei no jazz e arredores, há algum tempo atrás. Trata-se de um programa de rádio da Universidade de Coimbra, aparentemente apresentado por Paulo Santos, que congrega - como nos ensina a locutora - o "clube de jazz" daquela rádio. Na sua página da web, :ruclub, é possível ouvir a rádio. De quando em quando, aparece disponível para download um programa inteiro. Recomendo com ênfase o download, pois lá só encontramos seleções musicais de alto nível.

O :ruclub 103, por exemplo, é todo dedicado ao The Core, que se revelou uma grata surpresa.

Não deixem de conferir.

Coltrane - One Down, One Up: Live at the Half Note



"I just wanted the music and to let the guys go ahead and do what they want to do." - Mike Canterino, fundador da Half Note.

2 de setembro de 2007

(...)



Para comprovar a tese do primeiro post: tente não prestar atenção em Bennink...

29 de julho de 2006

PAX

I wanted a system that would be equal to the dynamics of curiosity. I wanted to have a music where I could have some fun.



Anthony Braxton


So, yes, I am in the underground, but actually, it feels like home.







30 de dezembro de 2005

Hermeto Ao Vivo

“O público que me acompanha já sabe que o disco é completamente diferente do show. Nunca é igual, porque, no palco, gosto de dividir a criação também com o público, que se sente dentro daquele arranjo. No meu trabalho de palco, também existe teatro, interpretação. Quem vai o meu show quer novidade.”

Hermeto se apresentou no SESC Interlagos em 29.06.2003, promovendo seu álbum Mundo Verde Esperança (RM, 2003). Para o deleite do leitor, duas interpretações.

Depois do Baile (16.03 MB)

Entrando pelos Canos (11.52 MB)


24 de dezembro de 2005

Interseção

Não, o im·promp·tu' não acabou. Só passa por uma interseção enquanto cuido um pouco de minha vida acadêmica, que já vai se aproximando da derradeira etapa.

###

Enquanto isso, alguns itens que se acomodam bem a estas épocas festivas:


The Peter Brötzmann Chicago Tentet - Be Music, Nigth (Okkadisk, 2005)









Surd - Live at Glenn Miller Café (Ayler, 2004)

6 de novembro de 2005

Hands down



"FJ: Do you find that the more you are learning, the more that knowledge sparks your curiosity?

KEN VANDERMARK: Yeah, definitely, definitely. You think you know something (laughing) and then you find out that you really don’t know that much and you have to go back. A perfect example is the tour with Brotzmann and Brotzmann’s Tentet in the United States with adding William Parker and Roy Campbell to his group. Just to take Peter for example. Every single night that we played, and I think there was nine gigs in two weeks, plus two days in the studio, I got to hear Peter Brotzmann play every single night. And every single night, he kicked my ass so hard musically and there was a piece that he wrote that we worked on called 'Stone/Water' and in that piece, towards the end of it, there is a section where Jeb Bishop plays an improvisational section and then I’ve got to play an improvisational section and then Peter plays after me and I had to do that nine concerts plus the studio recording of it. And everyday, I knew that he was going to take this solo after me and everyday, I would do everything that I could possibly think of to do something that would not make me look pale in comparison. And everyday, he came in and he just destroyed me. It wasn’t a competitive thing, but it was like an understanding that he is playing on such a level with so much energy and creativity, it was just like he was knocking me all over the block. That pushed my playing through the roof. I came off that trip with all this other stuff that I didn’t have before. Playing with people like that forces you to find things. It forces me to ask questions like, 'What am I going to do tonight to not look like a fool?' It pushes your curiosity through the roof more."


" (...) A familiar figure appeared during the set break: local hero Ken Vandermark, setting his bass clarinet and baritone sax on stands. Hooray! Vandermark never got a chance to play his bass clarinet, but no one seemed upset: the second set was one long improvisation where Vandermark (on baritone) and Brötzmann (on gloriously contrasting alto) played with violent muscle and intensity, Brötzmann more than keeping up with the younger man. Again, this hour-long piece went through a variety of 'movements', but it's the individual moments that stick in the memory: Kessler's mad, unaccompanied bowed solo, all knuckles and flailing arms; Brötzmann's long, somber lines over a repeated, circular-breath motif from Vandermark, the two producing a sense of ominous, sweet fragility; Drake's two alternating drum parts near the end that, once understood by the other three, produced a platform for all to unite to utterly devastating effect--this was some set. When the piece came to a close, Vandermark, Drake and Kessler turned to the leader to see if he was, indeed, exhausted. He was, and so was the audience.

Outside, the thunder continued; inside the club, it had exhausted itself."



Um disco absolutamente genial. Mais uma vez, Brötzmann deixa a platéia em estado de ebulição. Infelizmente, já está esgotado (Okkadisk, 1999).