31 de janeiro de 2008

Rova

O quarteto de saxofone Rova, com dois percussionistas convidados (Vladimir Tarasov e Fritz Hauser), no Vilnius Jazz 2007.








9 de janeiro de 2008

3 de janeiro de 2008

Ruclub

Achei no jazz e arredores, há algum tempo atrás. Trata-se de um programa de rádio da Universidade de Coimbra, aparentemente apresentado por Paulo Santos, que congrega - como nos ensina a locutora - o "clube de jazz" daquela rádio. Na sua página da web, :ruclub, é possível ouvir a rádio. De quando em quando, aparece disponível para download um programa inteiro. Recomendo com ênfase o download, pois lá só encontramos seleções musicais de alto nível.

O :ruclub 103, por exemplo, é todo dedicado ao The Core, que se revelou uma grata surpresa.

Não deixem de conferir.

Coltrane - One Down, One Up: Live at the Half Note



"I just wanted the music and to let the guys go ahead and do what they want to do." - Mike Canterino, fundador da Half Note.

2 de setembro de 2007

(...)



Para comprovar a tese do primeiro post: tente não prestar atenção em Bennink...

29 de julho de 2006

PAX

I wanted a system that would be equal to the dynamics of curiosity. I wanted to have a music where I could have some fun.



Anthony Braxton


So, yes, I am in the underground, but actually, it feels like home.







30 de dezembro de 2005

Hermeto Ao Vivo

“O público que me acompanha já sabe que o disco é completamente diferente do show. Nunca é igual, porque, no palco, gosto de dividir a criação também com o público, que se sente dentro daquele arranjo. No meu trabalho de palco, também existe teatro, interpretação. Quem vai o meu show quer novidade.”

Hermeto se apresentou no SESC Interlagos em 29.06.2003, promovendo seu álbum Mundo Verde Esperança (RM, 2003). Para o deleite do leitor, duas interpretações.

Depois do Baile (16.03 MB)

Entrando pelos Canos (11.52 MB)


24 de dezembro de 2005

Interseção

Não, o im·promp·tu' não acabou. Só passa por uma interseção enquanto cuido um pouco de minha vida acadêmica, que já vai se aproximando da derradeira etapa.

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Enquanto isso, alguns itens que se acomodam bem a estas épocas festivas:


The Peter Brötzmann Chicago Tentet - Be Music, Nigth (Okkadisk, 2005)









Surd - Live at Glenn Miller Café (Ayler, 2004)

6 de novembro de 2005

Hands down



"FJ: Do you find that the more you are learning, the more that knowledge sparks your curiosity?

KEN VANDERMARK: Yeah, definitely, definitely. You think you know something (laughing) and then you find out that you really don’t know that much and you have to go back. A perfect example is the tour with Brotzmann and Brotzmann’s Tentet in the United States with adding William Parker and Roy Campbell to his group. Just to take Peter for example. Every single night that we played, and I think there was nine gigs in two weeks, plus two days in the studio, I got to hear Peter Brotzmann play every single night. And every single night, he kicked my ass so hard musically and there was a piece that he wrote that we worked on called 'Stone/Water' and in that piece, towards the end of it, there is a section where Jeb Bishop plays an improvisational section and then I’ve got to play an improvisational section and then Peter plays after me and I had to do that nine concerts plus the studio recording of it. And everyday, I knew that he was going to take this solo after me and everyday, I would do everything that I could possibly think of to do something that would not make me look pale in comparison. And everyday, he came in and he just destroyed me. It wasn’t a competitive thing, but it was like an understanding that he is playing on such a level with so much energy and creativity, it was just like he was knocking me all over the block. That pushed my playing through the roof. I came off that trip with all this other stuff that I didn’t have before. Playing with people like that forces you to find things. It forces me to ask questions like, 'What am I going to do tonight to not look like a fool?' It pushes your curiosity through the roof more."


" (...) A familiar figure appeared during the set break: local hero Ken Vandermark, setting his bass clarinet and baritone sax on stands. Hooray! Vandermark never got a chance to play his bass clarinet, but no one seemed upset: the second set was one long improvisation where Vandermark (on baritone) and Brötzmann (on gloriously contrasting alto) played with violent muscle and intensity, Brötzmann more than keeping up with the younger man. Again, this hour-long piece went through a variety of 'movements', but it's the individual moments that stick in the memory: Kessler's mad, unaccompanied bowed solo, all knuckles and flailing arms; Brötzmann's long, somber lines over a repeated, circular-breath motif from Vandermark, the two producing a sense of ominous, sweet fragility; Drake's two alternating drum parts near the end that, once understood by the other three, produced a platform for all to unite to utterly devastating effect--this was some set. When the piece came to a close, Vandermark, Drake and Kessler turned to the leader to see if he was, indeed, exhausted. He was, and so was the audience.

Outside, the thunder continued; inside the club, it had exhausted itself."



Um disco absolutamente genial. Mais uma vez, Brötzmann deixa a platéia em estado de ebulição. Infelizmente, já está esgotado (Okkadisk, 1999).

3 de novembro de 2005

24 de outubro de 2005

Lançamento




"Este CD traz, pela primeira vez, os dois álbuns do grupo PÉ ANTE PÉ, que destacou-se na cena instrumental paulistana no início dos anos 80, ao lado de conjuntos como o Divina Increnca, Grupo Um e Pau Brasil. Sua obra-prima definitiva é o álbum 'Imagens do Inconsciente', gravado por um quinteto, enquanto o primeiro trabalho traz arranjos originais para uma ousada formação de octeto, com 3 saxes e vibrafone."


EDITIO/07 1. Sambana / 2. Tutú Maracá / 3. Uma Tarde Como Essa / 4. Transformar / 5. Araponga / 6. Embrio / 7. Saguairú / 8. Retrato Dela / 9. Sugestivo da Silva / 10. Paramanaguá / 11. Salamandra / 12. Samba do Anhangabaú / 13. Mormaço / 14. Iguana / 15. Tema para Pedro / 16. Pedra Lispe / 17. Baraúna

Homero Lotito / Caito Marcondes / Teco Cardoso / Jarbas Barbosa / Mané Silveira / Xico Guedes / Tuco Freire / Betão Caldas / Nico Assumpção / Sylvio Mazzuca Jr.

23 de outubro de 2005

Alice



[About free-jazz] It felt like if you were to just walk out of this door and just see a new world, a new universe with so many opportunities in it. You know so many things to discover and so many vistas to look upon. It was so perfect for me. And I never felt locked in. I said what a freedom, and to have it without all of these boundaries and restrictions. Not that it was wild and undisciplined, because that was something we'd talk about. He said, [John Coltrane] 'If my music ever became such that I'm playing without thought or without concentration, I'm finished.' He said, 'I'd never want to play'."


22 de outubro de 2005

Guigou! II


Guigou Chenevier (Etron Fou Leloublan, Volapük) e Nick Didkovsky (Doctor Nerve), estão juntos em Body Parts (Cuneiform Records, 2000), que une duas das mentes mais brilhantes e ousadas do universo R.I.O/avant-prog, em um trabalho criativo e empolgante. Mantendo o nível de excelência de seus trabalhos nos grupos de origem, aqui Guigou e Didkovsky abusam das especialidades que os celebrizaram - de um lado a percussão inventiva, folksy e opulenta do mastermind do Volapük, d'outro as composições assimétricas e complexas, e a capacidade de improvisação enérgica e pesada de Nick Didkovsky. Interessante é ouvir Guigou acelerar seu 'ritmo' natural para acompanhar o frenesi espasmódico de Didkovsky, revelando uma faceta agressiva à altura do Dr. Nerve.


Boa parte das músicas apresentam vocais, ora por Didkovsky (Pet Song), ora por Chenevier (The Man Who Hated Pets, Beautiful as Democracy) e contém letras interessantes, geralmente cantadas em ritmo atropelado e gritado:


I hate that freaggin' dog/ I hate that freaggin' dog!/ Is that your dog?/ it should be on a leash! Is that your dog?/ it should be on a leash!


Chenevier tem a chance de mostrar sua verve percussionista em 'Bell'innommable', repetindo a dose em 'Soft Loud', sendo argutamente acompanhado por Didkovsky, que deixa de lado o peso para criar ambiências miríficas na sua guitarra. Já Didkovsky despeja toda sua proficiência em 'The Corpse' e 'One Wooden Leg', faixas que nos remetem ao seu já consagrado trabalho no Dr. Nerve.


Mas o destaque fica para a improvisação cataclísmica que é a última faixa, onde o duo apronta um escarcéu de microfonias, ruído, dissonâncias e solos esfuziantes, atingindo o auge em um rock pesado e distorcido como o Dr. Nerve nunca sonhou fazer (me lembrou Massacre). Genial!

17 de outubro de 2005

Blue Tomato, Vienna, 29.11.2004



Neste preciso dia epigrafado o Die Like a Dog Trio (Brotzmänn, Drake, Parker) colocava abaixo o pequeno Blue Tomato, em Viena, numa apresentação em que certamente esteve presente o próprio Ayler - "Little Bird" -, ali, num canto, a testemunhar tudo com seu olhar soturno.

O concerto de quase duas horas foi lançado inoficiosamente, e recomenda-se a todos. Brötzmann esteve indomável. E também o público, ao que parece.

Mais sobre jazz em Viena.

16 de outubro de 2005

We Free Kings


Hoje é dia de The Art of the Improvisers (Atlantic, 1961), aliada à uma bastante iluminada performance da kirkiana Free King's Suite -- Meeting On Termini's Corner / Three For The Festival / A Handful Of Fives pelo Vandermark 5, disponível no primeiro disco de Alchemia.


[Playing a standard tune is] like having to know the results of all the changes before you even play them, compacting them in your mind. So I did that, and once I had it all compacted in my head I just literally REMOVED IT ALL and just PLAYED. (Ornette Coleman)

If Louis Armstrong was the one who said "These are the rules," and Charlie Parker, was the one who said, "No, here are the new rules," Ornette Coleman is the one who says, "Why do we even need rules at all?" (Michael J. West, Ornette Coleman: The Last Jazz Radical.)

O abre-surdo


"A sua música, muitas vezes, sem uma absoluta separação entre composição e improvisação, contém sofisticadas harmonias, mas estas apenas são dissonantes pela mesma razão que os rios têm afluentes, cascatas e trajectos sinuosos mas nunca deixam de chegar ao mar. Será possível tanta sabedoria ser endossada com tamanha simplicidade? Existe coisa mais poderosa que isto?

Simplicidade, sim. Sem pretensiosas teorizações, sem pseudo vanguardismos. Mas também sem falsas modéstias. Esse homem, poderíamos dizer, é a música transformada em carne. O som tranformado em osso. Hermeto paira numa outra dimensão e é ele que de alguma forma faz o "link" entre Bach e Luís Gonzaga, entre Miles Davis e Jackson do Pandeiro, entre Jobim e Kituxi. Este homem, dizem, só podia ser brasileiro."

Hermeto, via O abre-surdo.

15 de outubro de 2005

Viaje a Erlebnis

Akinetón Retard tocando Viaje a Erlebnis, de seu primeiro álbum, em apresentação que lhe valeu o premioDarwin International 2003/2004.

Via AMN.

13 de outubro de 2005

Akinetón Retard

Gêneros, rótulos, pouco ou nada dizem. Tentem explicar porque raios - um exemplo - bandas e propostas tão distintas como Henry Cow, Volapük e Mahavishnu Orchestra são colocados lado a lado, na grande categoria do rock progressivo?!? Pior, como uma banda que se vale de instrumentos de câmara - oboé, fagote, bassoon, contrabaixo, etc. - como Univers Zéro ou Gatto Marte são confinados na mesma vala? A categorização alcança tamanha sofisticação, (ou antes, a falta dela) que torna-se irracional e aleatória, o que, ao invés de servir o propósito de guiar o iniciante, acaba por segregar e tornar de difícil acesso certas bandas.

Temos um exemplo na chilena Akinetón Retard. Por alguma singularidade imperscrutável do destino, esse grupo caiu nas graças da imprensa progressiva, que logo rotulou-a como uma das grandes inovações do estilo. Ainda que fiquemos na seara do Rock in opposition (R.I.O.) ou até do jazz-fusion, o rótulo é incompreensível. Talvez a utilização de coros e susurros no primeiro álbum da banda, homônimo (Independente, 1999), tenha lembrado a alguém do francês Magma, o que significou ainda algumas comparações ao sub-gênero zeuhl, só para piorar as coisas.

Ocorre que a banda trilha um caminho único - uma vera fusão de estilos - mas, sem sombra de dúvida, sua sintaxe é jazz, particularmente daquela cepa que vai fundar-se no improviso e experimentalismo criativo sem barreiras. E, por conta d'uns desvios de classificação, o quinteto corre o risco de jamais encontrar seu público.

Atrevimento. Este o elemento que melhor sumariza suas composições, um alinhamento entre a pirotecnia de John Zorn, a expertise de Fred Frith ou Sonny Sharrock e os desatinos de Sun Ra. Nas entrelinhas, Massacre, Naked City, Coleman, e tantos outros. A mistura é potencializada ao vivo, conforme já pude testemunhar, e como se vê também do recente Ao Vivo (Editio Princeps, 2005) que há de ser um dos melhores lançamentos do ano.

Passado o recado, não deixem de conferir neste luxuoso álbum duplo, que guarda gravações realizadas em terras chilenas e brasileiras, petardos como Morricoleman (Morricone+Coleman), DementiaAbsorbant, Blues en Re, e Primogenia Satiria.

12 de outubro de 2005

Boas

Eduardo Chagas espalha as boas novas. Schwarzwaldfahrt (Atavistic, 2005) agora em nova edição, bonus tracks e duplo.

A reedição da Unheard Music Series/Atavistic, às 10 faixas originais, acrescentou outras tantas, arranjando material para um CD duplo que é de ir às lágrimas de contentamento auditivo. Peter Brötzmann/Han Bennink, Schwarzwaldfahrt.

Via jazz e arredores.

29 de setembro de 2005

Summa

The music of AKA MOON is an attitude. We can say sometimes 'it's jazz', because improvisation takes an important place. It means we have the opportunity to re-act instantly between us in face with the energy of the present. Sometimes, people says is like 'rock music', because of the collective impact of the band. Sometimes is like 'drum and bass' because we just love to be in this kind of mood. Sometimes people says other things, but what is important is the attitude to be open to any kind of sources of inspiration.

(Fabrizio Cassol, compositor responsável pelo trio belga Aka Moon, entrevistado por Federico Marongiu. Via Carbon-7.)

Ouça Live at Vooruit (1997, Carbon-7). A força que emana deste álbum é desumana. É uma chuva torrencial. I kid you not, não negligencie este pequeno registro ao vivo - é das melhores gravações que já ouvi.